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Mudei de endereço

Pessoal, mudei de endereço. Para continuar lendo meus posts visitem o blog www.escoladeatenas.wordpress.com.
Vejo vocês lá.

“Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que apenas as pessoas educadas são livres.”

Epicteto, filósofo romano e ex-escravo – Discursos

 

Não há quem não aprecie e anseie por liberdade. Costumamos encerrar nossos cães em coleiras e percebemos o quanto isso lhes causa sofrimento. É tolice achar que os pássaros presos em gaiolas estão felizes, e por isso cantam. Tentem então prender um gato e vejam a tamanha revolta que manifestam. Todos querem ser livres. E quanto maior é a capacidade de discernir, maior será o apreço por uma vida livre.

 

Nós humanos, dentre todos os animais, possuímos cérebros mais complexos e sofisticados, somos mais capazes de estimar a qualidade de ser livre. Em verdade, não só apreciamos, mas buscamos cada vez mais nos distanciar da servidão ou de qualquer sistema opressor.

 

Em Roma existiu um filósofo que conheceu a escravidão, não sabemos qual era seu verdadeiro nome mas chamavam-no de Epicteto. Acabou sendo liberto da pelo seu senhor, que por sua vez era também um ex-escravo. Em Roma Epicteto passou a estudar o estoicismo tornando-se um de seus principais expoentes.

 

A frase Epicteto citada acima, nos ensina que os que são verdadeiramente livres, são também os verdadeiramente instruídos. Mas alguém pode perguntar, livres do quê? Ou, instruídos em quê? Tanto em Roma, como na Grécia clássica, a escravidão era essencial para a economia. Nessas sociedades, mulheres e escravos não tinham todo acesso ao conhecimento, e nem eram admitidos na participação dos debates em praça pública (só as pessoas livres devem ser educadas). Mulheres e escravos possuíam papeis definidos, e cada um a sua maneira vivia uma espécie de servidão.

 

Exemplos como o de Epicteto, que vivenciou a escravidão mas elevou-se a um patamar intelectual nivelado ao dos pensadores de sua época, ou os casos de Safo e Hipasia, mulheres que ousaram aventurar-se nesse mundo, exclusivo para homens, são raros na história. A humanidade não faz idéia do quanto perdeu criando essas muralhas de preconceito, fundamentadas em costumes e tradições.

 

Hoje os dias são outros. Ainda que zigotos desse mal sejam semeados em muitos recantos da Terra, a escravidão, se comparada às antigas eras, é quase extinta. Mas as mulheres ainda sofrem muito com o machismo, graças as ideologias patriarcais que insistem em vigorar. 

 

Existem porém, muitas outras formas de ignorância e subserviência, para que possamos repousar tranqüilamente a cabeça sobre o travesseiro. Se o mundo antigo adoecia porque muitos não tinham acesso ao conhecimento, ou alguns sistemas proibiam seu avanço, hoje a humanidade sofre porque não sabe absorver conscienciosamente toda a ciência que se avoluma. A humanidade ainda não é livre.

 

A democracia, ainda que com percalços, tem se mostrado o melhor princípio de governo que existe, mas para que esse sistema possa funcionar corretamente, é preciso que o povo seja instruído. Como o regime democrático pode ser um verdadeiro baluarte para a nação, pode também ser fonte de poder nas mãos de poucos, nas mãos daqueles que estão no comando da nação. A teoria democrática nos diz que o poder de decisão está nas mãos do povo, mas quando o povo não possui instrução e senso crítico, esse direito se aliena. O resultado é o abuso indiscriminado de poder concentrado nas mãos de líderes que esse mesmo povo, de forma cega, escolheu.

 

Um povo instruído, conclui-se, torna-se capaz de alcançar autonomia democrática, e é evidente que muitos dos que lideram um governo não pretendem que isso aconteça. Não é a toa que não vemos, em nosso país, um esforço maior em se investir em educação e cultura, assistimos apenas o desenlace de movimentos tímidos, que esbarram numa série de impedimentos. Todos sofrem, mas poucos sentem a dor, a maioria está entorpecida, entretidos com o futebol ou os reality shows da tv. E se não sentem a dor, não há do que reclamar.

 

A liberdade que a instrução concede ao homem não se restringe apenas ao campo social, e na verdade essa nem é a área mais importante, a liberdade social será um sintoma, uma conseqüência. O preconceito, a ignorância, as superstições e delusões, estão na conta dos grilhões que nos prendem. Vítimas dos predicativos citados, são incapazes de discernir ou avaliar o que quer que seja. Thomas Jefferson disse “Se uma nação espera ser ignorante e livre num estado de civilização, espera o que nunca foi e o que nunca será”.

 

Conscientizando-se de que a instrução é tão necessária para esta emancipação intelectual, é preciso agora estabelecer que tipo de instrução é essa. Epicteto fala de educação (as pessoas educadas são livres). Um dos termos latinos para educação é “educare”* que significa nutrir. Toda civilização desenvolvida ou primitiva possui métodos de trabalho, de produção, de defesa do estado ou tribo, possui também crenças religiosas, tecnologia e costumes, a tudo isso se dá o nome de cultura. Toda essa gama de valores e fazeres tinha de ser comunicada, e a transmissão oral e escrita, feita por pessoas qualificadas para isso, é o que chamamos de educação. Esse era o “nutrir” da educação, qualificar os jovens para o trabalho, para o bom desempenho de seus papéis dentro do grupo, seguindo um processo endo cultural. Caso contrário o futuro da tribo ou do estado correriam sérios riscos.

 

Com o advento da Filosofia o educar ganhou novos contornos, novos nuances. Além de preparar o homem para a labutas sociais, a educação seria causa de transformação, de um desabrochar do ser, levando o homem para além de si mesmo, ampliando seus horizontes. A educação em Filosofia é um acréscimo substancial de riqueza, construindo solidamente a célula, para que todo o tecido social se torne mais forte e coeso. Platão acreditava nisso, ainda que em sua República houvesse ressalvas quanto aos soldados e escravos, mas na sociedade ideal de Platão havia um avanço, pois até as mulheres poderiam ter participação. Vê-se que aos poucos a Filosofia ia quebrando tabus e preconceitos.

 

Hoje possuímos um quadro muito mais amplo do conceito de educação, mas a idéia original, a de nutrir, ainda é a mesma. É preciso que nossas mentes sejam bem alimentadas a semelhança de nossos corpos. Um pai pode escolher dar ao filho um café da manhã reforçado ou pobre em vitaminas, até mesmo escolher dar alimento prejudicial, como ovos fritos e bacon. Da mesma forma os pais são responsável pelo alimento cultural que tornará seus filhos gigantes intelectuais ou não.

 

Em muitos lares a tv funciona como ferramenta educadora, os pais deixam seus filhos diante da televisão, autopreservando-se das constantes perguntas que os filhos costumam fazer. Essas crianças formarão suas opiniões baseadas no que vêem na programação televisiva. E a grade de programas geralmente é de muito mau gosto. Se pais do mundo todo não tomarem uma iniciativa producente, seus filhos estarão perdidos, e a sociedade formada por esses jovens vislumbrará decadência e corrupção.

 

Diminuir o tempo de tv e entreter as crianças com atividades mais construtivas, é o que deveria ser feito. Outra coisa, e de mais importância, é criar o gosto pela leitura em nossos filhos. Acontece que, em casa onde não se lê dificilmente isso acontecerá. As crianças imitam os adultos, elas admiram seus hábitos. Numa família onde a maioria lê, ou pelos menos os pais lêem, as chances dos filhos se interessarem pela leitura será maior. Habituando-se a si mesmo e os filhos na prática da leitura o resto do caminho será mais fácil.

 

Uma sociedade com homens livres não é utopia, é um sonho possível. Mas mudar o mundo é difícil, comecemos então por nós, podemos mudar o nosso universo, ampliar nossas perspectivas, basta querer. Vamos nutrir nossas mentes com alimento vigoroso e sadio, livre de saturação, de escória. O primeiro passo pode ser a aquisição de um livro. Qual livro? Depende do que quiser saber. Visite livrarias, consulte as bibliotecas. Existem livros que funcionam como “primeiros passos” para os que são leigos em determinados assuntos. Quer entender sobre o espaço e os planetas? Procure um livro que possa iniciá-lo em astronomia, na dúvida pergunta ao vendedor ou bibliotecário. Quer saber mais sobre as plantas, a vegetação de nosso país, um livro que o inicie em Botânica. E por aí vai. Se você procurar se aprofundar em algum assunto que lhe interesse, que goste ou ame, pode ter certeza que outras janelas de conhecimento se abrirão e sua mente, agora resiliente, se expandirá. O mesmo não se pode dizer daqueles que se contentam com o superficial, aliás esse é o mal de muitos.

 

Se no passado homens como Espártaco ou Robert de Brus se rebelaram, e com impertérrita belicosidade, alcançaram a tão almejada liberdade, é preciso assumir uma postura aguerrida contra nós mesmos, lutando contra as convenções, crendices e preconceitos, que fazem cômoda morada em nossas mentes. A verdade sempre vence.

 

Tu que, como uma punhalada,

Em meu coração penetraste

Tu que, qual furiosa manada

De demônios, ardente, ousaste,

 

De meu espírito humilhado,

Fazer teu leito e possessão

- Infame à qual estou atado

Como o galé ao seu grilhão,

 

Como ao baralho ao jogador,

Como à carniça o parasita,

Como à garrafa o bebedor

- Maldita sejas tu, maldita!

 

Supliquei ao gládio veloz

Que a liberdade me alcançasse,

E ao vento, pérfido algoz,

Que a covardia me amparasse.

 

Ai de mim! Com mofa e desdém,

Ambos me disseram então:

“Digno não és de que ninguém

Jamais te arranque à escravidão,

 

Imbecil! – se de teu retiro

Te libertássemos um dia,

Teu beijo ressuscitaria

O cadáver de teu vampiro!”

 

Charles Baudelaire – As Flores do Mal – O vampiro

 

* Outro termo latino para educação é “educere” que significa “conduzir para fora”. Sobre esta variante etimológica e suas implicações, falarei noutra ocasião.

Embora a história bíblica do Êxodo, a saída do povo judeu das terras egípcias, seja considerada inverossímil por muitos historiadores, existem provas arqueológicas de que a terra dos cananeus foi tomada pelos Israelitas por volta do XII século AEC.

Dessa tomada resultaram longos períodos de guerras e batalhas entre os israelitas e os povos de Canaã. O livro que relata esses conflitos é o Shoftim, nome hebraico do Livro dos Juízes do Velho Testamento. Nele  encontra-se também a história da juíza Débora, figura marcante das Sagradas Escrituras. Os relatos bíblicos são cheios de personagens interessantes, mas raramente destaca-se alguma mulher, estas geralmente aparecem apenas como esposas dos patriarcas. Débora se apresenta de forma singular e única por ter liderado corajosamente, uma revolta contra um rei iníquo.

Os dados sobre ela são escassos, sabe-se que vinha da tribo de Efraim e era esposa de Lapidote, mas não se diz quando ganhou preeminência e tornou-se juíza entre os Israelitas.

O período dos juízes se deu antes de se estabelecer a monarquia em Israel. Quando os judeus saíram do Egito, sob a liderança de Moisés, este tomou sobre si a responsabilidade de orientar o povo em todos os assuntos. As tribos dirigiam-se a ele  levando suas questões e dificuldades, na esperança de encontrar soluções. Mas o número de inquiridores era incalculável e Moisés foi aconselhado por seu sogro a eleger pessoas capazes para julgar Israel junto a ele, o que veio a tornar-se uma tradição. Quando os Israelitas chegaram em Canaã continuaram sob a liderança de outros juízes. Além dos juízes haviam também os profetas e os Sacerdotes, sendo estes últimos os principais na hierarquia.

No caso de Débora diz-se que era juíza e também profeta. O texto sagrado relata que ela sentava-se embaixo das palmeiras entre Ramá e Betel, e para ali o povo se dirigia em busca de conselho.

Nos dias de Débora muitos israelitas vinham sofrendo opressão sob as mãos do tirânico Jabim, rei de Hazor. A profetiza foi incumbida por Deus da tarefa de defender o povo. Ela deveria chamar a Barac, um comandante militar da tribo de Naftali, para liderar um exército contra Sísara, capitão das tropas de Jabim.

O historiador judeu Flavio Josefo, narra a batalha em sua História dos Hebreus:

“Débora, depois desse oráculo (a tarefa que recebeu de Deus), ordenou a Baraque (Barac) que reunisse dez mil homens e atacasse os inimigos, sendo suficiente esse pequeno número, pois Deus prometia-lhes a vitória. Baraque respondeu-lhe que não podia aceitar o cargo se ela não tomasse, com ele, o comando do exército. Ela, porém, respondeu-lhe encolerizada: “Não tendes vergonha de ceder a uma mulher a honra que Deus se digna fazer-vos? Eu, porém, não recuso recebê-la”. Reuniram assim dez mil homens e foram acampar no monte Tabor. Sísera (Sísara), por ordem do rei seu senhor, marchou para combatê-los e acampou próximo deles.

 

Baraque e o resto dos israelitas, espantados com a multidão dos inimigos, intentaram retirar-se e afastar-se quanto possível. Mas Débora os deteve e ordenou-lhes que combatessem naquele mesmo dia sem temer aquele grande exército, porque a vitória dependia de Deus, e deviam confiar no seu auxílio.

 

Travou-se o combate. Nesse momento, viu-se cair uma forte chuva com granizo. O vento impelia-a com tanta violência contra o rosto dos cananeus que os arqueiros e fundibulários não se podiam servir nem dos arcos nem das fundas, e os que estavam armados mais pesadamente tampouco podiam usar as suas espadas, tão enregelados estavam pelo frio. Os israelitas, ao contrário, tendo a tempestade pelas costas, não eram incomodados por ela e ainda sentiam redobrada a coragem, vendo nela um sinal visível do auxílio divino.

 

Assim, eles venceram e mataram um grande número de inimigos, restando apenas um pequeno número, que pereceu sob as patas dos cavalos e as rodas dos carros de seu próprio exército, o qual fugia em desordem.”

Barac aparece como um grande comandante diante das forças de Jabim, derrotando completamente o exército inimigo. Mas o texto bíblico e também Josefo destacam sua falta de fé e coragem, pois recusou batalhar sem a companhia de Débora, em vista disso a juíza disse “Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera.”. Barac, apesar do sucesso de sua campanha, não foi capaz de alcançar Sísara. Este abandonou seu carro de batalha e fugiu a pé até as terras de Héber, uma parente distante de Moisés, que tinha tomado partido de Jabim. Lá esperava encontrar refúgio mas foi recebido por Jael, esposa de Héber. A princípio ela o acolheu bem, tendo sede, deu-lhe coalhada e depois deixou-o dormir em sua tenda pois estava exausto. Enquanto dormia, Jael se muniu de uma estaca e martelo e chegando-se a ele, fincou-lhe a estaca na testa até atravessar o crânio, matando Sísara instantaneamente.

Não existe nenhum registro que explique ou revele uma ligação entre Jael e Barac, nem mesmo à Débora. O mais provável é que Jael, embora casada com Héber, fosse leal ao povo hebreu e viu em suas mãos a chance de prestar grande auxílio a seus compatriotas.

Cumprira-se assim a profecia de Débora, de que Sísara seria entregue nas mãos de uma mulher. Nesse episódio da história do povo hebreu, Débora e Jael aparecem como grandes heroínas.

Josefo nos diz que após a morte de Sísara, Barac continuou a avançar em direção a Jabim, sendo esse derrotado após grande batalha.

A guerra dos Israelitas, sob comando de Débora e Barac, contra Jabim pode ser lida nos capítulos 4 e 5 de Juízes, sendo o primeiro capítulo em forma de prosa e o segundo na forma de um cântico que ficou conhecido como Cântico de Débora, nele a juíza é alçada ao status de “mãe” da nação. Este cântico é um dos exemplos mais antigos de poesia hebraica.

A Bíblia não fala nada sobre a vida de Débora após a batalha contra Sísara. Josefo diz que Barac governou Israel, após destronar Jabim, por mais quarenta anos, e acrescenta que Débora morreu quase na mesma época que Barac. É possível então que Débora tenha vivido ainda durante muitos anos, e que tenha continuado com sua tarefa de aconselhar e fazer juízo sobre o povo.

A seguir apreciem o famoso Cântico de Débora, segundo a tradução da Bíblia de Jerusalém:

“Já que, em Israel, os guerreiros soltaram a cabeleira

e o povo espontaneamente se apresentou,

bendizei a Iahweh!

 

Ó reis, ouvi! Ó príncipes, escutai!

A Iahweh, eu, sim, eu cantarei,

celebrarei a Iahweh, Deus de Israel.

 

Iahweh! Quando saíste de Seir,

quando avançaste nas planícies de Edom,

a terra tremeu,

troaram os céus, as nuvens desfizeram-se em água.

Os montes deslizaram na presença de Iahweh, o Deus de Israel.

 

Nos dias de Samgar, filho de Anar, nos dias de Jael,

não existiam mais caravanas;

aqueles que andavam pelos caminhos

seguiam tortuosos atalhos.

 

As aldeias estavam mortas em Israel,

estavam mortas,

até que te levantaste, ó Débora,

até que te levantaste, mãe em Israel!

Escolhiam deuses novos,

e a guerra batia às portas.

Não se viam escudos nem lanças,

e eram quarenta mil em Israel!

 

O meu coração volta-se para os chefes de Israel,

como os voluntários do povo!

Bendizei a Iahweh!

 

Vós que cavalgais brancas jumentas

e vos assentais em tapetes,

e vos que ides pelos caminhos, cantai,

ao som da voz dos pastores,

a beira dos bebedouros.

Aí se celebram os atos justos de Iahweh,

os seus atos de justiça pelas aldeias de Israel!

Então o povo de Iahweh desceu às portas.

 

Desperta, Débora, desperta!

Desperta, desperta, entoa um cântico!

Coragem, Barac! Levanta-te

e domina os que te haviam aprisionado, filho de Abinoem!

 

Então Israel desceu às portas,

o povo de Iahweh desceu por sua causa, como herói.

 

Os príncipes de Efraim estão no vale.

À tua retaguarda, Benjamim está entre os teus.

 

Os chefes desceram de Maquir,

de Zabulon, aqueles que levam o bastão de comando.

 

Os príncipes de Issacar estão com Débora,

e Naftali, com Barac, pelo vale, seguiu as suas pegadas.

 

Nos clãs de Rúben

Demoradamente se deliberava.

Porque ficaste nos currais

a escutar o assobio, junto aos rebanhos?

Nos clãs de Rúben

Demoradamente se deliberava.

 

Galaad ficou do outro lado do Jordão,

e Dã, porque vive nos navios?

Aser permaneceu na orla do mar,

e tranqüilo habita em seus portos.

 

Zabulon é um povo que enfrentou a morte,

como Naftali, nos planaltos do território.

 

Os reis vieram e combateram,

os reis de Canaã combateram

em Tanac, a beira das águas de Meguido,

mas não levaram dinheiro por espólio.

 

Do alto dos céus as estrelas lutaram,

de seus caminhos, lutaram contra Sísara.

 

A torrente do Quison os arrastou,

a torrente dos antigos tempos, a torrente do Quison!

Marcha, minh´alma, ousadamente!

 

Então os cascos dos cavalos martelaram o chão:

galopam, galopam os seus corcéis.

 

Maldito seja Meroz, diz o Anjo de Iahweh,

amaldiçoai, amaldiçoai os seus habitantes:

pois não vieram em auxílio de Iahweh,

entre os heróis, em auxílio de Iahweh.

 

Bendita entre as mulheres Jael seja

a mulher de Héber, o quenita,

entre as mulheres que habitam em tendas, bendita seja ela!

 

Ele pediu-lhe água: leite lhe trouxe,

na taça dos nobres serviu-lhe creme.

Estendeu a mão para apanhar a estaca,

a direita para alcançar o martelo dos trabalhadores.

 

Então matou Sísara, rachou-lhe a cabeça,

com um golpe perfurou-lhe a têmpora.

 

Entre os seus pés ele desabou e se estendeu.

Onde caiu, ali ficou, sem vida.

 

À janela a mãe de Sísara se debruça

e espia, através da grade:

“Porque tanto tarda o seu carro a vir?

Porque são lentos os seus cavalos?”

 

A mais sábia das suas donzelas lhe responde,

e a si própria ela repete:

“É que sem dúvida demoram em repartir os despojos:

uma jovem, duas jovens para cada guerreiro!

Finos tecidos bordados e coloridos para Sísara,

um enfeite, dois enfeites para meu pescoço!”

 

Assim perecem todos os seus adversários, Iahweh!

Aqueles que te amam sejam como o sol

quando se levanta na sua força!”

A terra dos faraós, assim como suas magníficas pirâmides, sobreviveu ao tempo. Há aproximadamente 5000 anos Narmer, o Rei Escorpião, estabelecia o regime faraônico, sistema que vigoraria até que o opulento Império Romano, sob  o governo de Otávio, pusesse um fim as linhas dinásticas.

 

Nesse ínterim o Egito foi palco de grandes histórias e de grandes personagens. Homens e mulheres que brilharam no radiante firmamento dessa que foi uma das civilizações mais antigas do mundo. Porém trataremos aqui de uma personagem em particular, uma mulher que governou o Egito com pulso firme, e que conseguiu o feito extraordinário de se tornar a primeira mulher faraó da história (embora, para alguns egiptólogos, Nitocris teria sido a primeira).

 

O nome dela foi Hatshepsut, filha do grande Tutmés I e da rainha Ahmose. Antes de falarmos sobre ela é importante saber qual era a situação da mulher no Egito antigo. Diferente de outras nações da época, a mulher egípcia, fosse das classes mais altas ou não, gozava de uma situação privilegiada. Isso não quer dizer que a igualdade entre os sexos era plena, mas a mulher podia participar ativamente na sociedade como o homem, podia exercer cargos públicos e tinha os mesmos direitos.

 

Com a realeza não era diferente, a Grande Rainha tinha poder e influência na corte, ainda assim o poder absoluto pousava sobre as mãos do Faraó, somente os homens poderiam exercer esse cargo como Narmer havia firmado.

 

A história de Hatshepsut começa assim, Tutmés I não tinha filho homem com a rainha Ahmose, mas tinha filhos com Mutnefert, sua segunda esposa. Quando morreu Tutmés II, seu filho com a esposa secundária assumiu o trono, e para legitimar sua posse teve que se casar com a meia-irmã Hatshepsut. Seguindo o costume real Tutmés II também teve uma esposa secundária, chamava-se Ísis. Com Hatshepsut teve duas filhas, Neferura e Neferubit, e com Ísis teve Tutmés III.

 

O reinado de Tutmés II foi breve e alguns egiptólogos acreditam que tenha durado apenas três anos, sendo possível que a própria Hatshepsut tenha administrado os assuntos reais pois o rei não gozava de boa saúde. Quando morreu o cargo faraônico foi transferido para seu filho Tutmés III, mas como esse ainda era criança, tinha apenas 6 anos, não pode assumir plenamente, ficando assim Hatshepsut como corregente.

 

No segundo (alguns acreditam que no terceiro) ano de Tutmés III, Hatshepsut reuniu a corte e se alto conclamou Faraó. Antes dela havia registros de rainhas que administraram sozinhas o reino, mas nenhuma sob o título faraônico. Ainda durante o reinado de Tutmés II, Hatshepsut começou a angariar a simpatia de súditos importantes, isso facilitou o golpe, principalmente por ter conseguido apóio do sumo sacerdote Habuseneb. 

 

Para tornar legítimo o seu governo Hatshepsut lançou mão da religião, declarou-se filha direta do deus Amon-Rá. Hatshepsut e Habuseneb confabularam e anunciaram que Amon teria visitado e copulado com Ahmose, em seguida vaticinado que daquela relação nasceria uma Grande Rainha que traria paz e prosperidado para o Egito. A história da concepção divina de Hatshepsut pode ser lida nas paredes de seu templo em Deir-El-Bahari.

 

A Rainha Faraó usou a dupla coroa que fazia dela senhora das Duas Terras (Alto e Baixo Egito). Assumiu os cinco títulos reais próprios dos Faraós e passou a ser chamada Maatka-Re que significa “O Espírito de Rá é Justo”.

 

A guerra contra os Hiscos, perpetrada pelos antepassados de Hatchepsut, conquistou a autonomia para o Egito, agora a nação precisava se reerguer e enriquecer suas reservas. Por esse motivo o período de regencia de Hatshepsut foi pacífico, ao que tudo indica apenas duas campanhas foram realizadas em seu governo e mesmo assim de caráter defensivo. Uma dessas campanhas deu-se contra a Núbia, uma nação que oferecia certo risco contra o Egito, pois vez ou outra atentava contra as divisas do reino.

 

Para o trabalho de soerguer a nação a Rainha Faraó contou com a ajuda de Senemut. Esse personagem aparece na história da rainha primeiro como tutor da mesma e depois como tutor de suas filhas. A ligação de Hatshepsut com Senemut levou alguns estudiosos a defender a idéia de que foram amantes, mas não existem provas conclusivas sobre isso. O fato é que ele tornou-se um grande arquiteto real e sob o comando da Rainha Faraó reformou a cidade de Tebas. Edificou a famosa Capela Vermelha e das pedreiras de Assuão, cidade que ficava a altura da primeira catarata do Nilo, construiu os maiores obeliscos de então, que depois foram transportados para o centro religioso de Karnak.

 

Outra maravilha arquitetônica encomendada pela rainha foi seu Templo em Deir El-Bahari. O templo era chamado de Djeser Djeseru (Explendor dos Explendores), foi construído ao sopé de um monte rochoso, erigido sobre três plataformas com andares sobrepostos, sustentado por colunatas e ornamentados com estátuas da rainha. Uma enorme rampa levava ao segundo andar e uma outra conduzia ao terceiro, diante da primeira rampa uma série de esfinges abriam caminho para a entrada do templo.  O Djeser Djeseru é considerado uma das obras mais impressionantes da arquitetura egípcia.

 

Templo de Hatshepsut

Templo de Hatshepsut

Nas paredes do segundo andar do Templo pode-se ler sobre a grande viagem de Hatshepsut em missão para a terra de Punt. A viagem não tinha fins militares, nem muito menos a intenção de ampliar o território, mas era de cunho comercial e diplomático. A expedição foi comandada por Nehesi, portador do selo real. Objetivava trazer mirra e incenso para o Egito, produtos de grande valor cultural, o incenso para os rituais sagrados e a mirra para os trabalhos de embalsamamento.

 

Essa viagem marca o apogeu do reinado de Hatshepsut. A campanha serviu para estabelecer e propagar o nome da Rainha Faraó. Ao voltar para o Egito a expedição importou mais do que produtos finos, a viagem serviu como intercambio cultural entre os dois povos, Hatshepsut pode conhecer os costumes e sistema político desse povo, assim também como a fauna e flora do país.

 

Com aproximadamente 22 anos de governo, Hatshepsut conseguiu transformar o Egito em uma nação mais rica graças a ampliação das rotas comerciais, robustecendo o tesouro da realeza e melhorando as condições de vida do povo, que aliás a admiravam sobremaneira.

 

Hatshepsut pertenceu a afamada XVIII dinastia, e viveu por volta de 1479 a 1458 AEC. Não restaram vestígios da época de sua morte, a rainha desapareceu repentinamente dos anais egípcios. Acredita-se que Tutmés III tenha destruído muitos de seus templos e tenha apagado o seu nome como Rainha Faraó para consolidar o seu reinado. Tutmés III foi um grande conquistador e estendeu o domínio egípcio até as margens do Eufrates, mas jamais teria conseguido isso se Hatshepsut não tivesse estabelecido as bases políticas e financeiras que caracterizaram seu governo.

 

Graças a arqueologia e ao trabalho de Zahi Hawass, diretor do Conselho Superior da Antiguidades Egípcias, descobriu-se em 2007 uma múmia que pode ser a da Rainha Faraó. O fato da múmia da rainha não se encontrar no respectivo sarcófago dificultava sua identificação. Ao que tudo indica seu corpo foi retirado do local de sepultamento para evitar que fosse profanado. Para solucionar o mistério um grupo de múmias da XVIII dinastia foram pesquisadas, e Zahi Hawass ficou interessado por uma em especial, que era de uma mulher obesa com braço esquerdo dobrado sobre o peito, conforme os antigos costumavam fazer com as múmias reais.

 

Possível Múmia de Hatshepsut

Possível Múmia de Hatshepsut

Para chegar a conclusão de que seria a múmia de Hatshepsut recorreram a um pedaço de dente molar depositado na urna que pertencia a rainha. Examinaram o dente e descobriram que o mesmo faltava-lhe na arcada da múmia. Exames de DNA também revelaram que múmia tinha parentesco com Tutmés I e Ahmés Nefertari, avô de Hatshepsut. É muito provável portanto que a múmia seja realmente da Rainha Faraó.

 

 

Exames também revelaram que a múmia da provável Hatshepsut morreu de câncer nos ossos e no fígado, o que invalidaria a hipótese de que tivesse sido vítima de um complô urdido pelo seu enteado Tutmés III.

 

O fato da múmia ser obesa também coincide com certas representações pictóricas da Rainha onde  aparece gorda, alguns viam nisso apenas um símbolo da prosperidade advinda de seu governo, mas ao que tudo indica Hatshepsut também andou quebrando, voluntária ou involuntariamente, tabus de ordem estética, já que o padrão de beleza egípcio exigia que o corpo fosse esbelto.

 

A arqueologia ainda busca mais detalhes da vida dessa figura extraordinária, no futuro talvez tenhamos mais surpresas, por enquanto o que podemos saber é isso, que o governo de Hatshepsut foi excepcional tanto por seu formato quanto por seus resultados, firmado pela diplomacia mais do que pelo apelo bélico. A Rainha Faraó provou que uma mulher poderia administrar tão bem a nação quanto qualquer outro Faraó, tornou-se um paradigma para qualquer mulher que, ainda nos dias de hoje, luta para sobressair-se numa sociedade em que ainda impera os costumes patriarcais.

 

Abaixo seguem-se palavras da própria rainha que revelam sua reverência ao culto e sabedoria egípcia:

“Eu dei o máximo valor à Regra (Maât)

Que o princípio divino ama,

Eu sei que ele vive dela.

Ela é igualmente meu pão,

Eu bebo seu orvalho,

Eu formo com ela um só ser.”

Filosofando ainda vive

Olá caros leitores. Esse post é apenas para me desculpar por não ter publicado nada ultimamente. Poderia dizer que é a falta de tempo mas não é verdade. É que preciso colocar as idéias em ordem para conseguir escrever algo com conteúdo que valha a pena. Por isso espero em breve aparecer com alguma novidade. Até lá se Deus quiser.

A Idade Média é um período da história da humanidade que muito me fascina. Essa fascinação vem de criança, quando ainda nem sabia que períodos históricos eram identificados por nomenclatura.

Assistia na época aos filmes onde via cavaleiros heróicos lutando contra exércitos aparentemente imbatíveis ou monstros fabulosos. Lembro-me de filmes como O Príncipe Valente, Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, Joana d’Arc com Ingrid Bergman e Robin Hood com Arrow Flynn, todos ambientados nos dias medievais.

Depois veio a leitura, lia e ainda leio tudo o que se refere a era medieval. Como sempre tive interesse por religião, o estudo sobre o a era medieval tornou-se imprescindível, já que o cristianismo ocidental foi moldado nesse período e não importa qual religião cristã exista hoje, ela com certeza carrega os estigmas desse período histórico tão marcado pelos conflitos religiosos.

Numa de minhas costumeiras idas à Biblioteca do Metrô Tatuapé, deparei-me com o livro Invenções da Idade Média, dei uma folheada para ver se valia a pena e logo concluí que sim, por fim peguei-o.

A autora do opúsculo chama-se Chiara Frugoni, confesso que nunca tinha ouvido falar nela, mas consta que ela é autora de diversos livros, dentre os quais o Dizionario Del Medioevo.

Invenções da Idade Média possui linguagem simples, foi escrito para o público leigo, não é portanto obra para acadêmicos. Conta com uma série de notas que enriquece ainda mais seu conteúdo e ilustrações coloridas.

Nele você vai descobrir por exemplo que o óculos é uma invenção medieval, assim também como os bancos, a bússula, o garfo, moinhos de água e de vento, as universidades, o costume de comer à mesa, o livro em cadernos como o conhecemos hoje, e tantas outras coisas que não convêm contar para não estragar a surpresa.

Uma das invenções que me impressionou foi a da anestesia. Naquela época não se fazia o uso de injeções com substância anestesiante, eles empregavam o que era chamado de “spongiae somniferae”, as esponjas soníferas. Essas esponjas eram embebidas em entorpecentes como o ópio, a mandrágora ou cicuta (aquela mesma que matou Sócrates), depois deixavam a esponja secar e ficavam guardadas assim. Quando se fazia uso delas era necessário deitá-las sobre a água quente e depois o médico a colocava sobre as narinas do paciente que a inalava.

Essa técnica médica ainda engatinhava, e nem sempre surtia o efeito desejado, veja o que diz um trecho do livro na página 45:

O médico – real – Guy de Chauliac, em sua Chirurgia magna, de 1363, recomendava muita cautela no emprego dos anestésicos para a narcose total. Os pacientes adormeciam profundamente, mas o despertar era problemático: alguns enlouqueciam, outros, de fato, nem chegavam a despertar.”

Como podem ver é um livro que tem muito a ensinar, mas ele peca do meio para o fim, quando as explicações vão se tornando apressadas e perdem um pouco do detalhamento inicial, ainda assim é um livro mais que recomendável, e como já disse, para os iniciantes.

Invenções da Idade Média da editora Zahar está disponível na Biblioteca do Metrô Tatuapé, ou quem quiser pode comprar na livraria ou pela Internet. Adquira o seu e boa leitura.

Mais sobre o LHC

Marcelo Gleiser, o cientista e divulgador de ciência brasileiro, conhecido por sua coluna Micro/Macro do Caderno Mais da Folha de São Paulo, publicou neste último dia 20 de julho, na já referida coluna, um texto sobre o LHC e o medo gerado pelo trabalho de desinformação de alguns meios de comunicação.

Como disse aqui no Filosofando a alguns meses, uma considerável massa tem acalentado esperanças de que o LHC venha a ser a “máquina do fim do mundo”, esse tipo de euforia escatológica é muito comum e sempre se manifesta quando a Ciência se propõe a ampliar sua área de investigação.

Leiam com atenção do texto de Marcelo a seguir, creio que ele é suficientemente elucidativo para dissipar o medo e ajudar a entender melhor a importância do LHC para a Ciência.   

 

Medo dos físicos

 

O mundo não vai acabar por causa dos miniburacos negros do LHC

Ainda neste ano deve entrar em funcionamento a maior máquina já criada pelos homens (e mulheres), o Grande Colisor de Hádrons, ou LHC. O projeto, com custo estimado em US$ 8 bilhões, envolveu milhares de físicos, engenheiros e técnicos. Seu objetivo principal é explorar uma das questões mais fundamentais da ciência, a origem da massa.

Segundo a física moderna, a matéria é composta por pequenos corpúsculos indivisíveis, as partículas elementares. Os colisores de partículas são máquinas que aceleram esses corpúsculos uns contra os outros ao longo de circuitos semelhantes à pistas ovais de corrida, ocasionalmente provocando colisões frontais entre eles.

O segredo dos colisores está na violência das colisões: as partículas são aceleradas até velocidades próximas à da luz; ao colidirem, sua energia de movimento (ou energia cinética) é transformada -segundo a famosa relação E=mc2- em outros corpúsculos. Com isso, físicos podem estudar a composição da matéria e as diferenças entre as massas das partículas.

Mas o assunto hoje não é a física detalhada do LHC, e sim o medo que a máquina tem gerado. Quando o Centro Europeu de Física Nuclear, o Cern, a casa do LHC, anunciou que dentre as possíveis descobertas está a produção de miniburacos negros, o público logo se interessou. “Opa! Buracos negros sugam tudo, certo? Será que esses físicos loucos vão criar um monstro que vai sugar a Terra inteira, criando o próprio Apocalipse?”

Rapidamente, a notícia motivou inúmeros artigos e discussões em blogs. Um morador do Havaí chegou até a entrar na justiça com uma ação para tentar deter o LHC, alegando que físicos inconseqüentes poderiam destruir o mundo.

O temor é completamente infundado. É verdade que o LHC atingirá energias maiores do que no interior do Sol. Mas a diferença essencial é de escala. Quando prótons (os corpúsculos que irão colidir no LHC) colidem, a energia liberada é equivalente a de um bando de mosquitos. O que o LHC fará magnificamente é concentrar essa energia numa escala submicroscópica. Como afirma o relatório divulgado pelos especialistas de segurança do CERN, quando você bate palmas para esmagar um mosquito, está criando uma colisão com energia muito maior do que a do LHC. E ninguém cria mini buracos negros batendo palmas.

(Aliás, uma imagem bem propícia a um conto de ficção científica…)

Em princípio, é possível que a colisão de prótons crie um miniburaco negro. Mas esse buraco negro não tem nada a ver com algo que pode se tornar um gigante, tragando a massa terrestre e nós com ela. Miniburacos negros têm massa microscópica e vivem por muito pouco tempo. Como propôs Stephen Hawking, esses objetos perdem massa -evaporam- muito mais rapidamente do que são capazes de ganhá-la. Isso porque sua massa é pequena demais para exercer atração eficiente sobre outros objetos. Portanto, mini buracos negros -se criados no LHC, uma possibilidade no mínimo muito remota- irão desaparecer rapidamente, sem criar qualquer efeito detectável macroscopicamente.

Por trás do pânico está o medo do desconhecido, de estarmos nos debruçando sobre uma janela que dá para terras nunca dantes vislumbradas.

Juntando a isso o fato de físicos serem mesmo capazes de destruir o mundo -haja visto as bombas de hidrogênio- e mais as tantas histórias e filmes de ficção científica sobre o cientista louco cuja invenção foge do controle (iniciado com Frankenstein), fica clara a origem do temor. Mas o leitor pode ficar tranqüilo, pois nada de apocalíptico vai ocorrer. A menos, claro, que a máquina não funcione.

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