Isso é básico em filosofia, a procura de uma explicação para nossas origens. Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Perguntas que viraram clichês mas que são essenciais para o desenvolvimento do pensamento filosófico. Pode-se dizer que a filosofia é sustentada por estas perguntas como se elas fossem colunas ou plataformas.
Alguém conseguiu encontrar as respostas? Essa pergunta é tão difícil de responder quanto as três já citadas. Na época de Sócrates a religião grega tinha respostas para todas estas perguntas. Justamente por se opor ao que já estava estabelecido concernente a estas questões é que Sócrates começou a ser mal visto.
Durante a idade média era aceito o relato bíblico das origens pela igreja. Era uma verdade aceita como dogma e a igreja não permitia que isso fosse questionado. Muitos filósofos e cientistas morreram como hereges simplesmente por supor algo contrário ao que a igreja ensinava.
Com o Iluminismo tornou-se mais fácil estudar o assunto das origens e hoje são tantas as explicações que seria melhor termos ficado só com as perguntas mesmo. A máxima de Sócrates é válida aqui, o que sabemos de fato, é que na verdade “nada sabemos”. E o que é aceito hoje como explicação científica sobre as origens, é aceito por fé, assim como a explicação cristã o é, ou como as explicações mitológicas o foram. É interessante isso, a religião e a ciência vivem em pé de guerra, mas no fim, tanto o teólogo quanto o geólogo tem de acreditar em sua versão das origens fazendo uso da fé.
Vivemos dentro de um caldo grosso de teorias que tende a escorrer da panela. Acordo acreditando que Shiva dança enquanto o universo nasce e morre continuamente, tomo o meu café e lá estou eu assumindo uma postura evolucionista, no almoço já sou um verdadeiro sacerdote grego pregando o Caos primordial o que não acontece a tarde, durante o chá, pois nesta hora sou completamente cético de tudo. Janto como um criacionista fundamentalista ferrenho e vou dormir sossegado sobre a pele de Pan Ku, que morreu para dar origem a tudo.
Estes são problemas característicos de um mundo globalizado. Veja bem, não sou inimigo da globalização, mas quando não existe senso crítico passamos a ser alvos de ideologias diversas. Sejam as conclusões sobre as origens científicas ou religiosas, estas devem passar por um crivo de questionamento. Aceitar cegamente uma nova “verdade” é ser doutrinado, é tornar-se autômato e alienado.
Ter convicção sobre suas crenças pessoais lhe dará estabilidade, mas alcançar um nível de convicção é trabalho árduo e para tanto é preciso muita reflexão.
Muito bem colocado, Emerson. Às vezes, quanto mais teorias, maior a confusão. Eu sou um exemplo disso, sempre vivi questionando, buscando respostas, inquirindo, etc. A ânsia pelo conhecimento parecia uma droga me consumindo. Lia de tudo, estudava de tudo. Porém, chega um momento em que se deve questionar a si mesmo para buscar a estabilidade que você mencionou no último parágrafo.
Foi preciso (ao menos no meu caso) cessar com as questões para que elas, aos poucos, fossem automaticamente sendo respondidas, uma de cada vez. Só assim pude me aquietar e criar raízes em um lado filosófico/espiritual mais consistente. Continuasse questionando tudo o tempo todo, estaria ainda procurando, procurando, procurando…
Não que eu não questione mais. Jamais deixarei de formular perguntas, mas sob a luz de novos entendimentos, as dúvidas que me corroíam antes já não existem. Para outros, a busca está no começo ou no meio, e aquilo que serviu para mim, pode não servir a estes. Daí a importância da incessante busca individual pelo conhecimento.
Como disse Goethe, em Fausto: “Toda teoria é cinza; só é verde a árvore de dourados frutos que é a vida”. E os japoneses possuem um ditado semelhante: “Pensar demais não leva ao pensamento certo”.
Esse caldo prestes a escorrer da panela pode ser resultado da Globalização de crenças e teorias, mas também é o desespero que as pessoas têm em acreditar em algo, pois sentem que dentro delas falta alguma coisa para preencher o vazio. São pessoas que, depois de um certo tempo, descobrem que a felicidade não está na alta posição em uma empresa, ou em ter um carro importado 0km, ou na fama, por exemplo. Elas sempre precisam correr atrás de alguma coisa para acreditar, para lhes dar mais sentido à vida.
Não sou fã das explicações previamente construidas. Uma prova disso é a mistura de crenças que incorporei a minha vida. Talvez, por este motivo, vivo experimentando mais do que acreditando em tudo o que os outros dizem. A globalização, como você bem disse, nos arremessa em um abismo de novas perguntas e questionamentos. Certo é aquele que acredita, ao mesmo tempo que dúvida….rs
Meu breve e talvez menos experiente comentario seria:
As pessoas nao devem questionar muito, pois a unica verdade eh aquela que a grande maioria acredita, com isso agarrar e ir atras do que seria melhor a ela.
Outra coisa que acontece com a religião é que so existe para ajudar na maior parte as pessoas desamparadas e principalmente tratadas com indiferença, dai correm para onde podem sentir um pouco de apoio.
Sobre ir contra alguma coisa. O mundo e qualquer tendencia eh assim, nas artes o iluminismo vem contrapondo a visao da anterior!
nenhuma verdade eh absoluta e se questionar demais, voce nao faz nada por completo na sua vida.
Num episódio do filme “Matrix” um traidor da “resistência” disse: – A ignorância é uma benção!
Eu acho que isso pode ser verdade para algumas pessoas.
Nem todos, a maioria talvez, estão preparados para conhecerem muitas das “verdades” que a vida tem para oferecer.
Eu acho que eu não me encaixo neste grupo. Gosto de de procurar entender o porque de certas coisas. Sei que há muitas coisas que fogem a compreensão humana, mas não me preocupo com isso. Sinto-me satisfeito de apenas poder pensar e decidir se posso ou não acreditar em algo.
Para mim, muitas ditas “verdades” são subjetivas. Dependem mais da origem geográfica, época ou experiências vividas.
Olá Emerson, foi um prazer conhecer o seu blog. Achei ambos os textos muito pertinentes.
Acho que o esteriótipo do filósofo sonhador mencionada no post anterior já vem de longe (cito como exemplo a peça “As Nuvens” de Aristófanes, que retrata Sócrates como um bufão sonhador).
O motivo disso é claro para mim. Um filósofo não constroi uma casa ou uma ponte. Ele não pode apontar o dedo e mostrar a todos o que ele construiu, pois para a construção do filósofo ser vista ela precisa ser compreendida pelos outros. E num mundo que recompensa a velocidade a mote é “quem tem tempo de pensar?” Talvez o problema não seja falta de tempo, mas do hábito de pensar.
Nós montamos uma iniciativa semelhante à sua no blog “A Turma do Sócrates” onde estamos relacionando diversos assuntos filosóficos com notícias e referências atuais, acho que seria de seu interesse.
No momento estamos numa acalorada discussão sobre os direitos dos animais e dos não-tão-animais.
Parabéns pelo blog e espero vê-lo em breve.
mais difícil do que responder a essas perguntas é descobrir qual a fonte disso tudo? o que há por detrás de deus? o que é esta energia que faz o universo vibrar em unissono? Lembra de Shopenhauer quando disse que a vida nao tem acaso e que estamos imersos na rde do deus Indra..? Para ele td é ocasional mas ao mesmo tempo proposital.. As respostas residem em nos.. porém o homem busca somente em seu universo externo.. mais dificil que quebrar um atomo (parafraseando einstein) é destruir um preconceito.. e hj esquecemos um pouco este tipo de reflexao por considera la obtusa e ultrapassada.. Porém, nao há nada mais atual e verdadeiro do que nos perguntamos isso.. hj e sempre. Abraços PArabens pelo Blog.