Aqui vai a minha primeira indicação de leitura no blog. Antes de tudo, gostaria de explicar a relação que existe entre filosofia e literatura.
Tudo começa com a preocupação filosófica em definir o que é o “belo”. A princípio o belo constituía uma questão moral para os filósofos gregos, estava associado ao bom, enquanto que seu contrário estava associado ao mau. Tal era a posição de Platão. Este também dizia que as artes eram uma cópia em segunda mão do belo, já que a natureza era uma cópia do seu original pré-existente no mundo das idéias. Arte para Platão era nada mais nada menos que “imitação”.
Este conceito de beleza ética perdurou durante muitos anos até que o filósofo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) trouxe novas definições para a questão em sua obra intitulada “Estética”. Desde então o termo “estética” passou a ser empregado para designar o ramo da filosofia que se preocupa com a beleza e a sensibilidade artística.
Estética significa percepção ou sensação. Essas qualidades nós encontramos em todos os tipos de linguagem artística, desde a pintura até o cinema, desde a música até a escultura. A partir do momento que uma obra desperta algum sentimento ou sensação, seja ela o horror, torpor, alegria, tristeza, aflição ou qualquer uma outra que exista, está enunciando os predicados da arte.
A literatura também é arte, portanto é objeto de reflexão filosófica. O texto literário procura representar a realidade e ao mesmo tempo transmitir idéias e sensações que produzem no leitor aquilo que a filosofia chama de “experiência estética”. A literatura pode ser definida então, como uma ferramenta de descrição do belo na mão do artista.
Vamos agora à indicação de leitura. Há muitos anos, li uma das obras mais famosas de Franz Kafka (1883-1924), “A Metamorfose”. Na mesma época, li “O Processo”, do qual falarei em outra ocasião. Em “A Metamorfose”, Kafka narra a fantástica história de Gregor Samsa, que um dia, após acordar de sonhos intranqüilos, encontra-se transformado em um gigantesco inseto.
A partir de então, a vida de Gregor passa a ser de grande sofrimento e agonia. Impossibilitado de sair de seu quarto, perde-se em devaneios e em considerações sobre sua vida. A família, totalmente dependente dele, observa com asco e horror o jovem metamorfoseado que, aos poucos, vai definhando e chega às raias da loucura.
Metamorfose é uma obra perturbadora. A atmosfera claustrofóbica da narrativa faz com que o leitor sinta todo o desespero do personagem principal, que se encontra incapacitado diante de sua nova realidade. Kafka nos apresenta uma metáfora do mundo moderno, que nos aprisiona dentro de uma insignificante carapaça de inseto, diante da máquina burocrática do estado.
Esse é o livro que recomendo, espero que possam apreciá-lo devidamente. Nada como uma boa leitura em dias nos quais se encontra tanto lixo literário nas livrarias, de Dan Brown a Paulo Coelho. Está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa com conteúdo, por isso é sempre bom apelar para os clássicos.
Questiono a afirmativa que Platão considerava a arte “como nada mais nada menos que imitação”.
Caro Renato
Posso ter exagerado no “nada mais nada menos” mas para Platão tanto a escultura, pintura e poesia, eram “mimesis” (imitação) da realidade. E uma imitação inferior, já que a própria natureza era uma imitação da natureza ideal, aquela que existia no “mundo das idéias”.
Li o livro a metarmofose e achei dez,nossa eu como desconhecedora da filósofia e literatura,mais como amante da leitura ,ele deixa nós ficarmos angútiado pelo o que samsa senti.terriverl ao mesmo tempo aluscinante
na moral.falou!
já tinha lido o processo e estava com muita vontade de ler a metamorfose, eles retratam um grande sofrimento, um pela injustiça de um tribunal misterioso que acaba levando josef. k à morte com uma faca cravada no coração.já a metamorfose um grande sofrimento pela parte de gregor, contudo sua familia dependia apenas do seu trabalho, ainda tinha que aturar um chefe daqueles.