Na Internet se encontra de tudo, mas encontrar coisas boas já é uma outra história. Se bem que com um pouco de sorte, navegando aqui e ali, acabasse encontrando sites e blogs bem legais. Dias desses eu encontrei o blog Polegar Opositor, comecei a ler para dar uma conferida. Na época estava procurando sites e blogs de divulgação científica, e após ler um dos posts do Polegar acabei por adicioná-lo em meus favoritos.
O blog pertence a Thiago Henrique Santos, o rapaz que queria voar. Quando criança el acreditava piamente que o problema de não conseguir voar devia ser defeito da capa (isso mesmo, aquela capa que os heróis usam). Para saber mais leia aqui, acredito que muitos vão se indentificar com a história dele.
Essa semana, depois de uma de minhas averiguadas rotineiras no Polegar Opositor, li um texto bem interessante do Thiago que falava sobre a possível necessidade da filosofia na ciência. Pedi autorização dele para publicar o texto aqui no Filosofando, a qual ele cordialmente concedeu. Segue o texto do Thiago e fica aqui a indicação do Polegar Opositor como uma ótima fonte para aqueles que se interessam por ciência de verdade, ou seja, ciência desvinculada de charlatanice.
A ciência precisa de filósofos?
Muito se fala sobre filosofia da ciência, mas a relação da disciplina com a ciência do “dia a dia” por vezes não parece ser tão relevante. O cientista, absorto em suas pesquisas, nem sempre encontra tempo em suas atividades mentais para se questionar sobre seus próprios métodos. É provável que tal situação se sustente pelo ensino pouco flexível da ciência. Esta já era uma crítica de Thomas Kuhn , os jovens alunos são apresentados aos manuais criados por seus professores e pelos professores de seus professores. São inseridos nos “paradigmas”, ensinados a trabalhar sob o ponto de vista destes paradigmas. A despeito de como a ciência deveria funcionar, são desencorajados a questionar os paradigmas atuais em detrimento de uma visão progressista, historicamente duvidosa.
Por tudo isso, e por muitos outros motivos, a ciência moderna se fecha sobre si mesma. Os incentivos das instituições de fomento à pesquisa, os olhos da sociedade e até mesmo as premiações parecem valorizar muito mais as ciências aplicadas, relegando à ciência teórica uma visão de excentricidade. A ciência teórica esta mais para um velho hábito romântico, mantido por uns poucos idealistas ingênuos. A ciência moderna assumiu com força seu objetivo de ferramenta que busca as verdades sobre o mundo, deixando em segundo plano seu papel questionador.
A filosofia por outro lado, a despeito das transformações que sofreu nos últimos séculos, manteve sua capacidade questionadora. É por isso que a filosofia da ciência tem importância fundamental na ciência moderna. Por isso a resposta para a pergunta que dá nome a este texto é afirmativa. A ciência precisa de filósofos e da filosofia da ciência. Embora a reflexão crítica sobre seus próprios meios, ações e implicações seja de responsabilidade de todo cientista, é mais próprio da filosofia realizar essa movimento.
Isso não quer dizer, evidentemente, que a filosofia se coloca em uma posição superior à ciência, ou mesmo superior à qualquer atividade humana. Mas sua natureza menos rígida permite uma visão mais ampla sobre o objeto analisado, no caso, a ciência. Se faz necessário para a ciência moderna a recuperação de seus valores questionadores, afinal, foram esses valores que a colocaram em sua posição atual. E neste sentido, a filosofia é uma aliada mais que desejada.
Emerson, agradeço pelos elogios e por republicar um texto meu. Seu site é igualmente interessante e por isso mesmo esta linkado ao Polegar.
Abraços e, mais uma vez, obrigado.